É Carnaval!
Essa alegria toda do Carnaval, com dia certo para estar feliz nunca me convenceu. Sem querer filosofar, a vida é totalmente imprevisível, graças a Deus. Assim, ninguém consegue prever se vai ficar alegre ou triste no momento seguinte, a não ser que esteja indo ver uma comédia ou indo a um enterro.
Os foliões antigos talvez tivessem alguma alegria genuína, mas assim mesmo, usavam lança-perfume (permitidas em épocas inocentes do século passado), que deviam deixar o pessoal beeem animado.
A grande verdade é que essa suposta alegria é uma bela desculpa para liberar a libido, tanto que o governo distribui milhões de camisinhas grátis. Isso é até simbólico: o governo f...com o povo e dá preservativos para o povo f... quem quiser. Bacana.
Mas, sobre os foliões, é claro que para sair do seu estado normal, em geral tímido, o cidadão vai precisar de álcool e outras drogas para esquecer o seu dia a dia sem graça conseguir ficar eufórico.
Engraçado é que essa festa foi inventada pela Igreja católica, que inclusive batizou o Day After, ou seja, o dia em que cada um cai na real, como quarta-feira de cinzas, talvez simbolizando o fogo do Carnaval, já apagado (menos na Bahia, naturalmente).
O desfile das Escolas de Samba pela TV é muito chato assim como aqueles sambas-enredo repetidos à exaustão até que a Escola passe por toda a Avenida, mas, mesmo assim, gosto da festa, onde dá pra gente ver o ego inflado dos artistas, todos querendo aparecer ainda mais do que já aparecem na telinha. Também é hora de ver as mulheres de cilicone novo e de corpos esculpidos nas academias, o que me faz gostar ainda mais das mulheres normais, com alguma coisa fora do lugar, mas, pelo menos, humanas.