02/11/2011

O vilão branco
Encontrei um antigo livro de receitas União. Deve ter sido da minha mãe, e para tê-lo -- há décadas atrás -- a pobrezinha deve ter colecionado várias embalagens desta marca de açúcar, para depois trocar pelo livro. Essa era uma das promoções de antigamente para fidelização de marcas. No livro, é claro, todas as receitas são cheias de açúcar. Mas, falando nele (o açúcar), nunca vi tanta hipocrisia quanto agora a respeito do seu consumo. Nos restaurantes, em horário comercial, ninguém pede sobremesa e adoçam-se cafés invariavelmente com adoçante. Agora, quando cai a tarde, depois da despedida dos colegas de trabalho, a mulherada corre para as cafeterias e devora tortas, bolos e doces sem nenhum pudor. No Outback, onde tudo é exagerado em tamanho, inclusive a conta, há enormes sorvetes, servidos com toda a sorte de coberturas. Ninguém resiste. Lá dentro, parece que existe um pacto invisível entre os clientes de ninguém olhar para ninguém com olhar de reprovação. Todos estão cometendo o pecado da gula com a certeza da impunidade. Agora, em contrapartida, existem os defensores da saúde, uma tribo presente nas regiões mais ricas da cidade. Numa das revistas naturebas lidas por esse grupo, um dia destes, vi uma linda foto de um inocente pão de queijo e um refresco. Sabem o que estava escrito embaixo da foto? "Perigo! Bomba calórica!" Exageros à parte, o fato é que as pessoas estão cada vez mais gordas, não só pela ingestão de açúcar mas pela vida sedentária dos grandes centros e o fast food.