16/02/2012

É Carnaval!
Essa alegria toda do Carnaval, com dia certo para estar feliz nunca me convenceu. Sem querer filosofar, a vida é totalmente imprevisível, graças a Deus. Assim, ninguém consegue prever se vai ficar alegre ou triste no momento seguinte, a não ser que esteja indo ver uma comédia ou indo a um enterro.
Os foliões antigos talvez tivessem alguma alegria genuína, mas assim mesmo, usavam lança-perfume (permitidas em épocas inocentes do século passado), que deviam deixar o pessoal beeem animado.
A grande verdade é que essa suposta alegria é uma bela desculpa para liberar a libido, tanto que o governo distribui milhões de camisinhas grátis. Isso é até simbólico: o governo f...com o povo e dá preservativos para o povo f... quem quiser. Bacana.

Mas, sobre os foliões, é claro que para sair do seu estado normal, em geral tímido, o cidadão vai precisar de álcool e outras drogas para esquecer o seu dia a dia sem graça conseguir ficar eufórico.
Engraçado é que essa festa foi inventada pela Igreja católica, que inclusive batizou o Day After, ou seja, o dia em que cada um cai na real, como quarta-feira de cinzas, talvez simbolizando o fogo do Carnaval, já apagado (menos na Bahia, naturalmente).
O desfile das Escolas de Samba pela TV é muito chato assim como aqueles sambas-enredo repetidos à exaustão até que a Escola passe por toda a Avenida, mas, mesmo assim, gosto da festa, onde dá pra gente ver o ego inflado dos artistas, todos querendo aparecer ainda mais do que já aparecem na telinha. Também é hora de ver as mulheres de cilicone novo e de corpos esculpidos nas academias, o que me faz gostar ainda mais das mulheres normais, com alguma coisa fora do lugar, mas, pelo menos, humanas.

31/01/2012

Feriadão em SP
Sim, é verdade. Passei o último feriadão em São Paulo. Existe melhor lugar pra gente se esconder do Sol? Na Terra da Garoa me sinto muito à vontade pois me identifico, fora o clima, com o way of life do paulistano. Bem, saí na sexta, Dia de S. Sebastião, à tardinha num voo econômico da Tam (econômico é modo de dizer porque o preço para se ir a SP dá pra ir ao nordeste). Depois de uma exaustiva caminhada no Parque Ibirapuera, resolvi explorar um outro bairro, o Itaim, e lá acabei descobrindo uma Bottega que tem uma proposta bem original: a de fazer uma releitura dos clássicos pratos italianos, só que em pequenas porções e em ambiente de bar. A Bottega BottaGallo tem cozinha sem paredes, serviço atencioso, gente bonita e ambiente descontraído-chique. Fui de dia, de bermudas e fiquei bem à vontade. Lá tem grande carta de vinhos e oferecem a possibilidade de degustação de pequenas e variadas doses da bebida, para se escolher com mais segurança. Eu preferi Chope por chegar no meio da tarde de Domingo. Fica na Jesuino Arruda, 520, no Itaim Bibi. www.bottagallo.com.br

Bom também foi jantar no restaurante La Pasta Gialla, do Chef Sérgio Arno, nome que é sinônimo de qualidade em tudo que faz. Fui na unidade de Moema -- bairro em que morei por uns meses no passado -- na Alameda Arapanés, 1004. Tudo lindo e gostosíssimo. Pedi clássicos italianos. Meu prato foi ossobuco e a sobremesa, tiramissú. Obs.: não deixe de pedir o Couvert. Ele tem um pão de linguiça que vale uma ponte-aérea.

25/01/2012

Extraordinário
Vi um caminhão de lixo na rua que tinha cores diferentes dos outros que fazem a mesma coisa. Era de uma empresa com nome alemão que não lembrava Comlurb. Nele estava escrito: "lixo extraordinário". Fiquei pensando em como a nossa língua é rica e cheia de significados engraçados. No caso -- apesar do nome estar ok, pois o que não é comum é extra-ordinário -- para mim o outro sentido da palavra, muito mais dramático, prevalece: o de querer dizer que algo é fantástico. Exemplo: " Você tem um talento extraordinário!". Aí, o ser fora do comum é muito mais forte do que no caso do lixo, que poderia ser, ao invés de extraordinário: "Lixo fora do comum" ou " Lixo diferenciado". Para mim, lixo extraordinário seria encontrar a Luana Piovani no meio das sacolas fedidas ou uma caixa contendo milhão de dólares. Isso sim, seria um tipo de lixo extraordinário.

17/01/2012

Cultura em cadeia
Li que o Ministério da Justiça comprou mais de 800 livros para distribuir entre as 4 penitenciárias federais. Em algumas delas, alguns juízes inventaram um jeito de liberar um pouco a superlotação, um problema sério no Brasil: a troca de dias de pena por dias de leitura. Em Mossoró (RN) eles dão 12 dias pro detento ler um livro. Aí eles pedem pro cara fazer um resumo do que leu. Se conseguir contar direitinho a história eles tiram uns dias dos que faltam pra cumprir a pena (parece que é 1 dia de pena a menos para cada 3 de leitura. O traficante Beira-Mar, do Rio, é um devorador de livros, segundo o artigo. Calma gente, isso não quer dizer que vai ler o suficiente pra sair logo. Ele tem de cumprir só 120 anos, ou 43.800 dias, sem contar os anos bissextos. Bem, se fosse o Niemeyer já estaria quase saindo.

11/01/2012

Várias
Tristeza por ter perdido -- espero que não para sempre -- um dos meus lugares favoritos: a Majórica, onde adorava almoçar às sextas com minha amiga Lelé. Bem irônico uma churrascaria ter sido consumida, justamente ... pelo fogo. / Idiota a afirmativa de algumas peças publicitárias de hospitais de que oferecem atendimento humanizado. O que querem dizer com isso? Que o atendimento poderia ser desumano? Aí só no INSS. / Apesar de ter um conteúdo zero por conta da vida quase sempre fútil das protagonistas o programa da Band Mulheres Ricas tem o mérito de retratar o seu universo de forma bastante criativa, com a ausência total de entrevistadores ou narrativa. As Ricas falam de si mesmas todo o tempo, revelando toda as suas vaidades, defeitos e até, por que não dizer, algumas virtudes. Garanto que a audiência deve ser ótima, pois todo mundo gosta de saber como é a vida dos ricos e famosos, vide o sucesso da revista Caras / O Grupon está sendo responsável pela presença maior da classe C nos cinemas da Zona Sul, onde se vê muita gente com o voucher, comprado pela internet, nas mãos. / Com La Ninha presente neste Verão, com chuvas e tragédias pra todo o lado, parece que já estamos em março.

02/01/2012

Paz
Não entendo o porquê de se desejar "muita paz" no ano novo. Se o cara for o Obama, ou alguém do Oriente Médio, ok, acho válido. Se é do Bope, também faz todo o sentido, mas para nós, brasileiros normais, os seres mais pacíficos do mundo -- que toleram todo o tipo de roubo, injustiças e safadezas públicas -- só se a pessoa estiver se referindo ao trânsito, quando somos potencialmente sujeitos a nos transformar em trogloditas violentos, tal o stress.
Pode ser que a pessoa que nos está desejando essa paz esteja se referindo a uma paz interior, uma coisa mais Zen, mas aí fica praticamente impossível conseguir, quando se vive no asfalto. Lá em Mauá, até pode ter gente que consegue, mas sob o efeito de erva não vale. Tudo bem se desejar sucesso, alegrias, saúde, mas "muita paz" é muito esquisito.